Como a geração sexo-drogas-e-rock’n roll salvou Hollywood, Peter Biskind

Eu comprei Como a geração sexo drogas e rock’n roll salvou Hollywood há vários anos numa dessas promoções do Submarino, mas só peguei o livro pra ler este ano. Lembro que quando estava lendo, algumas pessoas perguntaram quanto custou e eu, muito jactante, respondi: 9,90. Você pode pensar que eu sou sovina. E a verdade é que sempre procuro comprar livros pelo valor mais baixo possível. Sou rata da Estante Virtual. Mas compro livros mais caros também. Algum dia falo sobre eles.

Assim, em linhas gerais, eu não gosto do cinema americano dos anos 1970. Essa turma formada por Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Steven Spielberg, George Lucas, etc. nunca me apeteceu muito. Posso dizer que gostei de Taxi Driver, da trilogia O Poderoso Chefão e, para citar outros diretores que foram “revelados” ou tiveram seu ápice naquela época, gosto de um ou outro filme de Robert Altman e da filmografia de Stanley Kubrick. O caso é que eu não colocaria seus filmes entre os meus favoritos.

E acabei comprando esse livro inadvertidamente. Pior: com a capa de um dos filmes mais famosos, bem cotados e que eu também odeio que é Touro Indomável. Enfim, o livro procura defender a tese do título: como a geração de cineastas e produtores porra loucas salvou o cinema americano que definhava em teias de aranha, arcaico, antiquado, em todos os processos: produção, concepção, distribuição, etc. Mas não esquece de dizer como isso deu em merda depois. Porque muitas dessas pessoas caíram no ostracismo, algumas morreram, outras só começaram a se reerguer nessa indústria a partir de meados dos anos 1990.

Os únicos que entraram pelos anos 1980, 1990 e continuam firmes até hoje são Spielberg e Lucas. Lucas foi quem lançou o germe dos blockbusters e muitos dos diretores daquela época acusam Tubarão e Star Wars de terem “matado” o cinema autoral. Acusações à parte, eu não me meto. Que essa galera se mate. Não gosto de nenhum deles mesmo.

O livro é interessante porque mostra os bastidores da produção de vários desses filmes, mas também é uma coisa bem nojenta de se ler. Esses caras são uns sociopatas, narcisistas, misóginos. Não foi sem indignação que li sobre as mulheres que tiveram papel crucial na produção de filmes, mas que simplesmente esse crédito foi tomado de assalto delas e o caso mais emblemático é o de Polly Platt, esposa de Peter Bogdanovich. Era parceira dele em todas as produções. Misteriosamente, os filmes de Bogdanovich perderam qualidade depois que os dois se separaram (maritalmente e profissionalmente).

Seguem-se episódios terríveis de se ler: Dennis Hopper moendo a esposa de pancadas; Stratten sendo brutalmente assassinada e (depois!) estuprada pelo ex-amante; o massacre na casa de Polanski. Enfim, não são apenas os fatos em si, mas também a forma como Peter Biskind, jornalista que fez a pesquisa e escreveu o livro, os apresenta. Com uma narrativa pitoresca, grotesca, fait divers que beira o deboche. E isso foi o que me fez desgostar do livro, sobre todas as coisas.

2 comentários sobre “Como a geração sexo-drogas-e-rock’n roll salvou Hollywood, Peter Biskind

  1. Já que não curte o livro, o que acha de me vendê-lo? rs

    Sou à moda antiga, gosto do livro físico, e fiquei curioso em ler sobre esse, mesmo depois do que disse.

    Vamos negociar? 🙂

    Curtir

    • hahahaha Eu não me desfaço dos meus livros. E, embora não goste do tom deste livro, ele é uma boa fonte de consulta sobre o cinema daquela época. 🙂

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s