O vampiro, John William Polidori

É estranho pensar que O Vampiro e Frankenstein foram produto de um desafio, ambos escritos durante uma noite. Eu acho estranho pela extensão e complexidade dos dois textos. Ambos são interessantes, mas enquanto Frankenstein traz uma reflexão de natureza moral sobre uma questão que aflige o ser humano provavelmente desde que ele tem consciência de si que é a própria morte ou como burlar a morte, O Vampiro funciona como um exame sobre a perversão humana, claro que embalado numa bela metáfora que se tornou o embrião para obras posteriores mais famosas como Carmilla, a Vampira de Karnstein, de Sheridan Le Fanu, cronologicamente, a primeira mulher vampira e a segunda vampira da ficção, e Drácula, de Bram Stoker.

A trama de O Vampiro é bem simples e curta. Aubrey, um jovem aristocrata e órfão, porém podre de rico, conhece Lord Ruthven, um nobre muito enigmático que consegue, com seu magnetismo, atrair todos ao seu redor. Durante uma viagem que empreendem juntos, Aubrey passa a questionar o caráter do amigo (safadeza, claro) e acaba se separando dele. Já na Grécia, em uma pequena comunidade supersticiosa, conhece uma jovem pela qual se apaixona. Mas a garota acaba morta por uma entidade sobrenatural que Aubrey desconfia ser o próprio Lord Ruthven. E, a partir de então, a ideia se torna uma obsessão para ele.

Direta, a historinha tem muita eficiência em mostrar a aflição de Aubrey que fica dividido entre uma promessa e o amor fraternal, sucumbindo, por fim, em razão do desespero que o sufoca e esmaga dia a dia.

É lamentável que John Polidori seja o menos lembrado dentre os escritores que criaram historinhas de vampiros, até mesmo porque a ele é creditada a invenção desse ser fantástico. Antes de ler conto, eu pensava que Ruthven fosse um ser puramente emocional porque há quem sugira que a inspiração para o personagem não teria sido outro senão o próprio Lord Byron, de quem Polidori era um empregado e de quem parecia sofrer constantes humilhações. Mas é evidente o caráter sobrenatural e misterioso do personagem.

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