Uzumaki, a espiral do horror, Junji Ito

Uzumaki – A Espiral do Horror é um quadrinho japonês de criação de Junji Ito que relata a obsessão da cidade de Kurouzo por espirais. A história é narrada por Kirie Goshima, uma adolescente que vive na cidadezinha. Em um primeiro momento, pode parecer engraçado o elemento causador de horror. Entretanto, aqui não se trata de uma espiral em específico, como sugere o subtítulo do mangá.

A narrativa parece sugerir que a ideia de espirais como algo sagrado parte do interior dos habitantes da cidade. Daí, a obsessão. Com variações percebe-se dois tipos de obsessão na cidade: a dos que veneram a espiral e a dos que têm medo (às vezes, verdadeiro horror) dela.

O mangá constitui-se de três volumes intitulados Cicatriz, Farol Negro e Caos. É sutil a diferença entre o sobrenatural e a própria obsessão pela espiral. Há momentos em que há um diálogo entre as duas situações: o sobrenatural dá origem a obsessão que, por sua vez, faz com que seja possível o sobrenatural acontecer. Ou poderia muito bem ser o contrário.

Assim como outros trabalhos de Ito, acredito que Uzumaki se trata de uma metáfora sobre a cultura nipônica, especialmente a cultura moderna japonesa. O que mais causa horror e angústia é a necessidade de as pessoas se apegarem a espirais, seja pelo medo, seja pela adoração. Assim como o Enigma da Falha de Amigara, penso que esta história também versa sobre o vazio e a solidão.

Em 2000, foi feita uma adaptação para o cinema, dirigida por Higuchinsky. O filme traz elementos dos três volumes, mas não abarca as várias pequenas histórias embutidas em cada um. Também dá um desfecho diferente à história.

A narrativa não consegue ser coesa. Parece um “resumão” das aberrações dos três volumes, sem um elemento que as ligue. E isso fica mais grave, principalmente, porque a história contada no filme acompanha a trajetória de Kirie apenas no equivalente ao primeiro volume do mangá.

Tecnicamente, é pobre em recursos visuais e maquiagem, algo que seria imprescindível para uma adaptação de Uzumaki. Muitas das cenas, como a dos caracóis humanos, são filmadas à distância, uma artimanha da produção para não ter que mostrar detalhes.

Boas atuações e um roteiro que transitasse mais no rumo do sugestionável poderiam suprir um pouco as carências técnicas. No entanto, os atores de Uzumaki são fracos.

Já neste ano, foi anunciada a produção de um anime chamado Junji Ito Collection. Como o nome sugere, deverá ser uma série antológica e Uzumaki pode ser um dos trabalhos abordados no anime, pois é uma das principais obras do quadrinista. Esperamos que sim porque a trilogia merece uma boa adaptação.

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