Melhor e pior leitura do ano

O final do ano chegou e, juro, gostaria de fazer uma postagem com os 10 melhores livros que li. Porém, não li tantos livros assim em 2017 e menos ainda (dez!) que possam figurar numa lista dessas sem causar algum constrangimento. Mas estou entregando este textinho com o melhor e o pior livro que li este ano.

São impressões bem pessoais mesmo. Portanto, não há necessidade de rancor. Vamos lá então:

O melhor

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O xará, Jhumpa Lahiri

De uns tempos para cá, eu tomei a decisão de ler mais mulheres ou, pelo menos, balancear mais minhas leituras em relação ao gênero dos autores. A Tag me ajudou bastante neste ano — sou assinante desde o ano passado — com dois lançamentos muito bons. Um foi A Câmara Sangrenta e Outros Contos, de Angela Carter, que além de trazer uma narrativa com foco na subjetividade feminina, também apresenta uma outra literatura possível, se esquivando da tradição de britânica das narrativas com crítica social e de costumes que tematizam, dentre outras coisas, a hipocrisia, o adultério, a vida de aparências, etc.

E o outro foi este O Xará, de Jhumpa Lahiri, que considero o melhor livro que li em 2017. Assim como A Câmara Sangrenta, a obra apresenta grande interesse na questão da subjetividade.  Porém, desta vez, de um jovem americano, de origem indiana, Gógol Ganguli. O título do livro faz referência ao escritor russo Nicolai Gógol. Grande admirador de Gógol, o pai do protagonista dá ao filho o apelido homônimo e, por uma série de enganos causados pelas diferenças culturais, a criança acaba sendo registrada assim nos Estados Unidos.

O mais interessante em O Xará é a ideia da impermanência: com bastante habilidade, a escritora passeia pelas vivências de Gógol, apresentando sem julgamento de valor o jogo dialógico no processo sempre ininterrupto da construção da identidade do personagem. Em relação à família, à Índia, à cultura norte-americana e, claro, ao próprio nome. É um livro belíssimo.

O pior

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Vida e proezas de Aléxis Zorbás

O pior também veio via Tag. Meu, o que é esse livro?

Assim, primeiro os aspectos positivos: Vida e Proezas de Aléxis Zorbás é um livro muito bem escrito. E não é algo para se estranhar, visto que o autor era um intelectual, estudou Filosofia e quase ganhou um Nobel (perdeu para Albert Camus). O ritmo e o tom reflexivo diante da vida e das escolhas que se faz me lembrou muito Vitória, de Joseph Conrad.

Mas por que mesmo que é ruim? Porque é um dos livros mais misóginos que já li na minha vida. Peguem o título: vida e proezas. A maioria dessas proezas dizem respeito a relacionamentos amorosos de Zorbás com as mulheres. Só que essas mulheres muito raramente ganham sequer um nome na narrativa. Quando têm algum destaque, são apresentadas como desesperadas, caso da Bubulina. E ela é a única que é nomeada e tem alguma voz (ela é a única que tem a honra de vermos dialogando) no romance. Fim.

Uma outra personagem, viúva (só viúva, sem nome, sem história), é brutalmente assassinada diante de toda uma vila. E tirando um leve pesar, o narrador da história que teve uma breve relação com ela, não perde muito tempo pensando no crime.

Em resumo, a misoginia se mostra pelo silenciamento, pela naturalização da violência de um homem (que foi rejeitado) em relação à mulher e, especialmente, pela própria visão que os dois protagonistas têm das mulheres.

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