Razão e Sentimento, Jane Austen

Gostei e não gostei de Razão e Sentimento. Gostei porque a história das irmãs Dashwood é interessante do ponto de vista subjetivo: Elinor representa a racionalidade e Marianne, a passionalidade (a terceira irmã, Margaret, parece que tá lá só de enfeite) e, de algum modo, as duas personagens não se excluem, mas se complementam, como se fossem uma só. Parece piegas, mas o ponto central da narrativa é a relação de aprendizado de uma com a outra.

De novo, por que eu gostei? Não só por isso, mas pelo humor cínico da autora em relação a algumas situações e personagens. John Dashwood, o meio-irmão de Elinor e Marianne, é um dos melhores exemplos. Por uma questão legal, o cara se deu bem na vida ficando com toda a herança do pai. Por ser homem. Prometeu ao pai que ajudaria às irmãs. Só que ele não fez isso, né? É interessante como Jane Austen brinca com a consciência pesada do sujeito: é o caso clássico de quem inventa mentiras a si mesmo para justificar a irresponsabilidade/negligência.

O motivo de eu não ter gostado pega gancho em John Dashwood. Todos os homens da história são uns bundões. Ou, pelo menos, todos os que são importantes pra história: John Dashwood, John Willoughby e, sim, os mocinhos, Coronel Brandon e Edward Ferrars. Este último, principalmente.

O primeiro eu já dei razões de sobra do porquê de ser um bundão. O segundo é um canalha. O terceiro passa a narrativa inteira com o rabo entre as pernas, rejeitado, é um Marcelo Camelo do século XIX que tem em Marianne sua Mallu Magalhães. Acho inverossímil e mal construída uma suposta relação de afeto entre os dois personagens. E simplesmente, não me convenceu. (exceto no filme porque Alan Rickman).

Edward Ferrars. Sem dúvida o mais bundão dos personagens de Jane Austen. O cara é um vagabundo (tá, aristocracia, mas né, mesmo assim!), não trabalha (e nem considera a possibilidade), não tem grana, é sustentado pela mãe, arranja um compromisso escondido dela, se apaixona por outra, flerta com esta outra e não sabe como consertar as coisas. Se é que há conserto pra isso. Acho a Elinor admirável de aceitar um covardão desses.

Enfim, essa é minha opinião sobre o livro. Talvez injusta. Who knows. Algum dia, numa releitura, eu olhe a história de Elinor e Marianne de forma mais complacente. Em todo caso, é entretenimento na certa. Então, recomendo.